quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Franklin Távora - Literatura do Norte


Polêmica instaurada no prefácio de O Cabeleira (1876), no qual Franklin Távora, postula uma existência de uma literatura do Norte e outra do Sul, visto que ele defende que a do Norte é mais autêntica:

"As letras têm, como a política, um certo caráter geográfico; mais no Norte, porém, do que no Sul abundam os elementos para a formação de uma literatura propriamente brasileira, filha da terra. A razão é óbvia: o Norte ainda não foi invadido como está sendo o Sul de dia em dia pelo estrangeiro. A feição primitiva, unicamente modificada pela cultura que as raças, as índoles, e os costumes recebem dos tempos ou do progresso, pode-se afirmar que ainda se conserva ali em sua pureza, em sua genuína expressão".

Benção Paterna - José de Alencar


Trecho final do texto “Benção Paterna”, prefácio do romance Sonhos d’Ouro (1872), de José de Alencar. Questionamento importante sobre a dependência, autonomia e o uso de estéticas estrangeiras na literatura brasileira.

“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?”


O contista Moreira Campos


O escritor dividiu seus livros de contos em duas “fases”: a das "narrativas mais longas" e a “dos contos breves, resumidos”, que foi, segundo ele, “a linha” adotada posteriormente a Vidas Marginais (1949) e Portas Fechadas (1957)”. Nessa perspectiva, foram publicados: As Vozes do Morto (1963); O Puxador de Terço (1969); Contos Escolhidos (1971); Contos (1978); Os Doze Parafusos (1978); 10 Contos Escolhidos (1981), A Grande Mosca no Copo de Leite (1985) e Dizem que os cães vêem coisas (1987). Foram um total de seis publicações e quatro republicações de contos. 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Trecho de A normalista: Literatura cearense

Trecho A normalista, Adolfo Caminha

O Perneta, sujeito pretensioso e pernóstico, metido a literato, falando sempre com certo ar dogmático, ventilou uma questão de literatura cearense — Que não tínhamos poetas, disse; o que havia era uma troça de malandros e de pedantes muito bestas, que escrevinhavam para a Província coisas tão ruins que até faziam vergonha aos manes do glorioso José de Alencar; uma súcia de imitadores que se limitavam a copiar os jornais da Corte.  
Na sua opinião o Ceará só possuía um poeta verdadeiramente inspirado — era Barbosa de Freitas. Esse sim, cantava o que sentia em versos magistrais, dignos de Victor Hugo.
 Conhecera-o pessoalmente. Um boêmio! Fazia gosto ouvi-lo. Que eloqüência, que verve, que talento! Sabia de cor muitas poesias dele, mas nenhuma se comparava ao Êxtase, “esse poema de amor” que valia por todas as poesias de Juvenal Galeno.

A normalista

Araripe Júnior, sobre A normalista (1893), de Adolfo Caminha:

“Quem quiser conhecer a cidade de Fortaleza e intoxicar-se um pouco com a barbaria semi-civilizada de uma capital provinciana, onde reina o babismo em todo o seu furor, não tem mais do que abrir o livro de Adolfo Caminha e entregar-se à leitura de suas páginas sem preocupação de crítico. Reproduzo o que escrevi algures. Enquanto se lêem aquelas páginas, vive-se um pouco no Ceará. Os acidentes físicos estão todos nos seus lugares. As ruas principais da cidade, o Passeio Público, o Trilho, o Pajeú, o Mucuripe, surgem aqui, ali, sugestivos e pitorescos. Os aspectos particulares dos costumes cearenses confundem-se a todo instante com a ação do romance.”

JUNIOR, Araripe. “Movimento literário do ano de 1893”. In: Obra crítica de Araripe Júnior. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura, Casa de Rui Barbosa, 1863. v. III. p. 171. 

Adolfo Caminha por Sânzio de Azevedo

Breve biografia de Adolfo Caminha por Sânzio de Azevedo

Nascido no Aracati, em 29 de maio de 1867, e tendo falecido no Rio de Janeiro, no primeiro dia do ano de 1897, com menos de 30 anos de idade, Adolfo Caminha foi durante sua breve existência o que foi no melhor de sua obra de escritor: um revoltado. Espírito profundamente inquieto e temperamento extremamente impulsivo, era aluno da Escola Naval, no Rio, quando, na presença do Imperador, não hesitou em fazer a apologia do regime republicano, por ocasião de uma homenagem póstuma a Vítor Hugo. Já oficial de Marinha, publica um conto em que faz questão de descrever a desumanidade dos castigos corporais, em voga nos navios de guerra, àquela época. Voltaria ao assunto, com a mesma veemência, num livro de viagem, No País dos Ianques (1894) e no romance Bom-Crioulo (1895). Transferido para o Ceará, um escândalo amoroso fê-lo malvisto na pequena Fortaleza da década de oitenta. Intimado a abandonar a Província, por ordem de seus superiores, o que termina abandonando é a carreira das armas, indo ocupar um modesto cargo de funcionário civil na Tesouraria da Fazenda. Na Capital do País, para onde logo se muda, haveria de publicar A Normalista (1893), seu mais famoso romance, onde, como num desabafo, põe à mostra todas as baixezas e podridões da sociedade que o repudiou, chegando mesmo a fazer a caricatura de alguns figurões com os quais se desaviera. Tentaria também vingar-se da corporação a que pertencera, através das páginas do Bom-Crioulo, uma triste história de marinheiros, na qual se conta um caso de homossexualismo, e onde, como foi dito, reaparece o tema dos castigos corporais, como se a vida da Marinha fosse apenas esse lado negro, a que seu grande talento empresta cores ainda mais sombrias.
Sânzio de Azevedo, em Falas Acadêmicas, Academia Cearense de letras.

Pedro Salgueiro. “O escritor de província”


Pedro Salgueiro. Conto: “O escritor de província”
Árdua e ambiciosa missão de Paul Morrison S. Rosa, a pedido de seu pai, no leito de morte:

 “- vá para o meio do mundo e seja o que seu pai não conseguiu... seja um intelectual”. Será que ele conseguiu?