quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Memorial Gilmar de Carvalho


Não percam oportunidade de ler está obra que a Secult lançou “MEMORIAL – Gilmar de Carvalho”, em homenagem ao professor, pesquisador e escritor, com organização de Mona Gadelha e Fabiano Piubá.

“A partir da notícia da partida de Gilmar de Carvalho, que abalou e comoveu a todos e todas, inúmeras manifestações foram publicadas na imprensa e nas redes sociais, vindas de todo o Brasil. Ao colecionar esses textos de amor e despedida de nosso grande escritor, pesquisador e professor, foi se formando um memorial com a intenção de perenizar esse momento, em que se não pudemos nos abraçar pessoalmente, possamos tentar nos consolar com as palavras”, texto de apresentação do livro.

A Secult Ceará celebra a vida, a obra e a saudade de Gilmar de Carvalho que marcou profundamente a cultura cearense.

O livro pode ser baixado gratuitamente no link abaixo, no site da Secult: https://www.secult.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/43/2021/08/Livro-Gilmar-de-Carvalho-Memorial-Secult-Ceara.pdf

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Coleção Vaga-lume - leituras que marcaram a infância


TBT literário: leituras que marcaram a infância e juventude.

Dos quatro aos nove anos, eu lia muitas histórias em quadrinhos, contos de fada, livros de lendas e mitologias, livros didáticos. Aos 10 anos, foi um livro da coleção Vaga-lume, que constituiu o primeiro romance infanto-juvenil que li e não parei mais.
Depois, li praticamente todos os exemplares da Coleção Vaga-lume da biblioteca da minha Escola (Colégio Padre José Nilson). Esses livros foram a base da minha formação literária e a porta de entrada para a leitura de mais livros, romances brasileiros e universais. Tenho muito carinho por essa coleção. Assim como eu, muitas pessoas se iniciaram na leitura de livros literários por meio dessa coleção.
A Série Vaga-Lume é uma coleção de livros brasileiros voltada para o público infanto-juvenil, lançada em janeiro de 1973, pela Editora Ática. Foram mais de cem livros publicado dos anos 1970 aos anos 2000. O seu catálogo é dividido entre as séries Vaga-Lume e Vaga-Lume Jr., para leitores com faixa etária entre 10 e 20 anos. Foram livros muito populares que faziam parte das bibliotecas de quase todos os colégios.

domingo, 30 de maio de 2021

129 anos da Padaria Espiritual no Ceará



Há 129 anos, em 30 de maio de 1892, surgia a Padaria Espiritual, o acontecimento literário que agitou culturalmente Fortaleza, na passagem do século XIX para o XX. A agremiação se formou nas cadeiras do Café Java, quiosque estilo art nouveau que ficava na Praça do Ferreira (centro da cidade), de propriedade de Mané Cocô, que concentrava jovens boêmios, artistas e literatos que debatiam as novidades literárias da época.

A cidade de Fortaleza do final do século XIX e início do século XX foi um espaço de riquíssima efervescência cultural e política. O fator gerador dessa agitação foi o rápido desenvolvimento econômico da capital cearense, em virtude da exportação de algodão para a Inglaterra, durante as décadas de 1860-1870. Ocorreu um amplo desenvolvimento material na capital, que poucos anos antes era apenas uma cidade provinciana, cujo centro econômico passou a ser a Praça do Ferreira.

Devido ao desejo dos jovens letrados e bacharéis de se modernizar e de se atualizar com as novidades intelectuais e artísticas, houve uma intensa e difícil procura por livros, que eram comprados, emprestados, lidos e discutidos nas ruas, praças, cafés, livrarias, gabinetes de leituras, clubes e agremiações literárias.

O fundador e animador dessa padaria singular foi Antonio Sales, jovem poeta de 24 anos (autor do livro "Versos diversos", 1890), foi instigado pelos gracejos de seus amigos Lopes Filho, Ulisses Bezerra, Sabino Batista, Álvaro Martins, Temístocles Machado, Tibúrcio de Freitas, nas festivas reuniões no Café Java, no fim de maio de 1892.

Os jovens escritores queriam criar um grêmio literário para despertar o gosto pelas letras em Fortaleza, mas Antônio Sales não queria criar uma instituição séria e formal, como tantas outras que existiam. Ele concordaria em organizar o grupo "só se fosse uma cousa nova, original e mesmo um tanto escandalosa", que sacudisse a cidade e "tivesse uma repercussão lá fora".

domingo, 18 de abril de 2021

A cultura cearense em luto


Gilmar de Carvalho, jornalista, pesquisador e professor aposentado do curso de comunicação da UFC, nos deixou na noite do último sábado, em decorrência da covid-19.
Uma vida dedicada ao amor pela cultura popular, ao cordel, ao jornalismo e à literatura.
Todos nós aprendemos muito com ele. O seu legado é imenso.
Grande jornalista e pesquisador, orientou inúmeros pesquisadores. Escreveu peças de teatro, contos, livros de ensaios sobre cultura popular, sobre cordel, sobre música, valorizando sempre as dinâmicas das tradições culturais.
Ativo e incansável, lutando sempre para registrar e valorizar variadas expressões culturais do nosso povo.
E como romancista, nos legou Parabélum (1977), um dos maiores romances cearenses do século XX.
Fica registrada nessa postagem, alguns momentos da homenagem que ocorreu em virtude dos 40 anos de publicação do romance Parabélum, organizado pelo Acervo do Escritor Cearense, da Biblioteca de Ciências Humanas da UFC, e do Projeto Entre-lugar na Literatura Cearense, em 17 de novembro de 2017. Nesse dia, houve palestras e uma mostra de documentos do Arquivo Pessoal de Gilmar de Carvalho, com curadoria da pesquisadora Lídia Barroso. O Evento ocorreu na Biblioteca de Ciências Humanas da UFC.
E também outras fotos de 2018 ocorreram durante o evento sobre Clarice Lispector.
O legado de Gilmar de Carvalho para a cultura e a literatura cearense é vastíssimo.
É um exemplo para que nós possamos continuar a cultivar as nossas tradições.
Cultura é movimento, é continuidade.
Viva Gilmar de Carvalho.






quinta-feira, 8 de abril de 2021

Ideia de Poesia por Alfredo Bosi


 “A poesia tem mais de um horizonte [...] é o caminho mais feliz da poesia, não só para quem a produz — o artista que conhece aquele momento de iluminação — como sobretudo para os seus leitores. Um adolescente numa crise existencial de repente abre um livro de poemas da Cecília Meireles e sente que há coisas belas na existência. Ou então abre um Carlos Drummond de Andrade e tem contato com uma concepção mais irônica ou crítica, ou mesmo de grande resistência moral. [...]

Quando escrevi O ser e o tempo da poesia (1977), destinei um capítulo inteiro ao conceito de poesia resistência e verifiquei que há mais de uma forma de resistência. A forma mais evidente é a poesia de crítica social, de ataque, de sátira. Mas não é a única. Às vezes o poeta entra muito dentro de si mesmo e sua forte carga subjetiva involuntariamente se opõe àquilo que é a prosa do mundo, a prosa ideológica. Não que ele faça uma proposta formal de ataque à sociedade, mas a sua linguagem é tão estranha e tão diferenciada em relação àquilo que é a linguagem ideologizada, ou a do senso comum, que ela se transforma em resistência.”
Fonte: Entrevista com Alfredo Bosi – “Poesia como resistência à ideologia dominante”, Revista ADUSP, dez. 2015.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Adolfo Caminha por Sânzio de Azevedo

 


Breve biografia de Adolfo Caminha por Sânzio de Azevedo:

Nascido no Aracati, em 29 de maio de 1867, e tendo falecido no Rio de Janeiro, no primeiro dia do ano ·de 1897, com menos de 30 anos de idade, Adolfo Caminha foi durante sua breve existência o que foi no melhor de sua obra de escritor: um revoltado. Espírito profundamente inquieto e temperamento extremamente impulsivo, era aluno da Escola Naval, no Rio, quando, na presença do Imperador, não hesitou em fazer a apologia do regime republicano, por ocasião de uma homenagem póstuma a Vítor Hugo. Já oficial de Marinha, publica um conto em que faz questão de descrever a desumanidade dos castigos corporais, em voga nos navios de guerra, àquela época. Voltaria ao assunto, com a mesma veemência, num livro de viagem, No País dos Ianques (1894) e no romance Bom-Crioulo (1895). Transferido para o Ceará, um escândalo amoroso fê-lo malvisto na pequena Fortaleza da década de oitenta. Intimado a abandonar a Província, por ordem de seus superiores, o que termina abandonando é a carreira das armas, indo ocupar um modesto cargo de funcionário civil na Tesouraria ·da Fazenda. Na Capital do País, para onde logo se muda, haveria de publicar A Normalista (1893), seu mais famoso romance, onde, como num desabafo, põe à mostra todas as baixezas e podridões da sociedade que o repudiou, chegando mesmo a fazer a caricatura de alguns figurões com os quais se desaviera. Tentaria também vingar-se da corporação a que pertencera, através das páginas do Bom-Crioulo, uma triste história de marinheiros, na qual se conta um caso de homossexualismo, e onde, como foi dito, reaparece o tema dos castigos corporais, como se a vida da Marinha fosse apenas esse lado negro, a que seu grande talento empresta cores ainda mais sombrias.

Sânzio de Azevedo, em "Falas Acadêmicas", Academia Cearense de letras.

quinta-feira, 25 de março de 2021

Dragão do Mar e a Abolição do Ceará



Hoje é comemorada, 25 de março, a Data Magna do Ceará, que celebra o marco histórico do fim da escravidão no nosso estado. O Ceará foi a primeira província brasileira a libertar os escravos, no dia 25 de março de 1884 –, há 137 anos. O Ceará se antecipou em quatro anos à abolição da escravatura em todo o Brasil, que ocorreu somente em 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea.

Como indicação de leitura sobre a Campanha abolicionista cearense, indico o belo livro do escritor e artista plástico, o saudoso Audifax Rios, intitulado “Dragão do Mar e seu tempo – Cem anos do Derradeiro Brado do Chico da Matilde”, publicado em 2014.