segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Um clássico historiográfico: Fortaleza Belle Époque”

 


Esse clássico da historiografia cearense foi muito importante para a minha formação como pesquisador de literatura cearense. A obra “Fortaleza Belle Époque”, do professor e historiador Sebastião Rogério Ponte, primeira edição de 1993, é resultado de sua dissertação de mestrado sobre a disciplinarização dos corpos e as remodelações urbanas na cidade de Fortaleza, entre a passagem do século XIX às três primeiras décadas do século XX. Foi crucial para a minha pesquisa sobre Rodolfo Teófilo, que auxiliou o entendimento de seu conturbado contexto. Na foto, seguro a 1ª edição, de capa branca, e a 3ª, de 2001, ambas pela Fundação Demócrito Rocha.

“Fortaleza Belle Époque, do historiador Sebastião Rogério Ponte, analisa o processo de remodelação urbana e disciplinarização social por que passou a capital cearense entre o final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Neste estudo inovador e denso de informações, o autor mostra como essa ordenação sócio-urbana constituiu-se, na cidade, por meios de projetos de embelezamento espacial, campanhas de higienização física e moral da população, imposição de novos padrões europeizados de condutas públicas e privadas, asilamento de mendigos e doentes mentais, e práticas policiais de controle das camadas pobres. A obra contempla, ainda, a sátira, o deboche e a irreverência como formas de resistência popular contra as cotidianas tentativas dos poderes e saberes locais em disciplinar a sociedade.”

O livro pode ser adquirido no site da Livraria Dummar, no link


Se na biblioteca escolar, universitária ou comunitária de vocês existir um exemplar desse livro, não deixem passar a oportunidade de lê-la. Para além de uma leitura, é uma excelente aula de história de Fortaleza. Não percam!







quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Inscrições encerradas Curso A fome 130 anos: Rodolfo Teófilo romancista

INSCRIÇÕES ENCERRADAS. Olá, muito obrigado por seu interesse, mas, infelizmente, as inscrições foram encerradas, devido à grande procura. Mas não desanime, o Curso é uma parte da Campanha Cultural "A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista" que ocorrerá na forma de ocupação digital, durante o mês de dezembro e janeiro de 2021, por meio de produção de postagens, vídeos, uma videoconferência e um almanaque gratuito em forma de ebook (de autoria de Charles Ribeiro Pinheiro e arte por Luís XIII), , que se utiliza da linguagem visual das histórias em quadrinhos, como forma de ampliar a divulgação do referido romance e as demais obras ficcionais de Rodolfo Teófilo.

O Curso, ministrado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, consistirá em cinco encontros virtuais que abordarão questões interessantes e relevantes do romance A fome, ressaltando Rodolfo Teófilo como um escritor-leitor, ao investigar as leituras que formaram a sua cosmovisão cientificista, assim como a construção de seu estilo naturalista-regionalista, cuja obra ficcional o tornou o precursor da chamada "Literatura das secas".
O Curso ocorrerá virtualmente por meio da plataforma Meet (google), nos dias 28 e 30 de dezembro de 2020; 04, 06 e 11 de janeiro 2021, no horário de 18h às 19h.
Acompanhe as Redes sociais e canais da Campanha para saber mais sobre o escritor Rodolfo Teófilo, suas obras ficcionais, e sobre Literatura Cearense. Todas as divulgações ocorrerão por meio delas. Em janeiro, será publicado gratuitamente um Almanaque digital sobre Rodolfo Teófilo. Não Perca!

"Este Projeto é fomentado com recursos da Lei 14.017/2020 - Lei Aldir Blanc - por meio da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza".
Acompanhe:
Instagram: https://www.instagram.com/prof.charles.ribeiro.pinheiro/...
Facebook: https://www.facebook.com/prof.charles.ribeiro.pinheiro
Informações: entrelugar.literaturacearense@gmail.com





INSCRIÇÕES ABERTAS! O Curso "A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista"


 INSCRIÇÕES ABERTAS! O Curso "A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista" tem por objetivo homenagear os 130 anos de publicação do polêmico romance "A Fome" (1890), um dos responsáveis pela construção da tradição dos romances da seca na literatura brasileira. O Curso faz parte da campanha cultural que ocorrerá na forma de ocupação digital, durante o mês de dezembro e janeiro de 2021, por meio de produção de postagens, vídeos, uma videoconferência e um almanaque gratuito em forma de ebook (de autoria de Charles Ribeiro Pinheiro e arte por Luís XIII), que se utiliza da linguagem visual das histórias em quadrinhos, como forma de ampliar a divulgação do referido romance e as demais obras ficcionais de Rodolfo Teófilo.

O Curso, ministrado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, consistirá em cinco encontros virtuais que abordarão questões interessantes e relevantes do romance A fome, ressaltando Rodolfo Teófilo como um escritor-leitor, ao investigar as leituras que formaram a sua cosmovisão cientificista, assim como a construção de seu estilo naturalista-regionalista, cuja obra ficcional o tornou o precursor da chamada "Literatura das secas".

O Curso ocorrerá virtualmente por meio da plataforma Meet (google), nos dias 28 e 30 de dezembro de 2020; 04, 06 e 11 de janeiro 2021, no horário de 18h às 19h.

Público alvo: alunos de graduação ou graduados em Letras e, além dos Cursos de Ciências Humanas, demais interessados em Literatura Cearense.

Não perca essa oportunidade!

"Este Projeto é fomentado com recursos da Lei 14.017/2020 - Lei Aldir Blanc - por meio da secretaria municipal da cultura de Fortaleza".

Inscrições por meio do link:  https://forms.gle/oM1TLnm8J2EtehvA6

Página do Curso: https://caminhosdapesquisaliteraria.webnode.com/a-fome-130-anos/

Informações:  entrelugar.literaturacearense@gmail.com

Instagram:  @prof.charles.ribeiro.pinheiro

Twitter: @Charles_Rib_82

Facebook: https://www.facebook.com/prof.charles.ribeiro.pinheiro




sexta-feira, 23 de outubro de 2020

A minha primeira onda

 


Não me lembro da primeira vez que vi o mar, pois morava há uns duzentos metros da praia do Mucuripe e uns dois quilômetros da Praia do Futuro. Quando abri os olhos para a existência, portanto, ele já estava lá, tão antigo quanto o mundo. Do meu bairro, situado no alto de uma duna ancestral de Fortaleza, era só andar um pouco que se podia avistar o verde mar, que alimentou meus avós e meus pais. O mar era o meu quintal d’água.

Então, desde criancinha, ia sempre à praia. Porém, da primeira vez que entrei sozinho no mar e fui surpreendido, nunca esqueci. Foi um misto de emoções: contemplação, susto e medo.

Tinha oito anos e eram férias escolares. Desci com os meus pais até a Praia do Futuro. O Oceano Atlântico me surpreendeu com sua beleza, sua incrível extensão de água verde, com ondas brancas que rolavam até onde os meus olhos podiam ver, sob um céu claro e um sol de verão, brilhante e quente, cujos raios de luz eram afiados como canivetes.

Fiquei encantado com a visão e o som daquelas ondas sem fim e mal podia esperar para entrar na água. A princípio não fiquei com medo, como muitas crianças que ficavam a se deparar com aquele pedaço de infinito. Era como se me chamasse. Meus pais distraídos não me viram largar as sandálias na areia e correr freneticamente em direção ao mar.

Ninguém me avisou sobre o poder colossal de uma onda. Antes que eu soubesse o que tinha acontecido, fui atacado por uma parede de água em movimento e arremessado contra parte rasa da areia molhada. Sentei-me cuspindo e tossindo água salgada que passava ardendo em minha boca e nariz. Minha testa e meus braços estavam avermelhados e arranhados. Veloz como uma albatroz, a minha mãe veio em meu socorro e me levou para a faixa de areia. Fiquei magoado, chocado e, sobretudo, muito confuso.

Claro que tive medo de entrar no mar novamente. Sentei-me no raso e fiquei, ainda chateado, encarando as ondas. Olhava tudo: o horizonte, os surfistas singrando as águas, as pessoas nadando, as crianças brincando, os navios ao longe. Mesmo criança, assustado e atento, com o tempo, fui lendo as cadências das ondas, onde elas eram maiores, onde quebravam, o intervalo de uma onda a outra. Uma hora depois, para não desperdiçar aquela manhã de domingo, entrei no mar novamente, mas com os meus pais. Prevenido, o mar não me pegava mais. O medo cedeu lugar ao divertimento. E eu estava fazendo as pazes com ele, selando uma amizade duradoura.

Esse episódio, na Praia do Futuro, me marcou profundamente e me trouxe uma rica lição. A vida é como o mar. Em um minuto, estamos vadeando em águas pacíficas e, no momento seguinte, somos atingidos por uma onda poderosa que nos derruba. Às vezes, a onda estava lá, vindo em nossa direção, mas não dávamos importância. Uma onda pode nos deixar atordoados e sem fôlego. Somos derrubados, atirados na areia ou puxados para baixo. E se o mar nos arrastar e nos afundar, lutamos para respirar e voltar a superfície. A vida como o mar é repleta de ondas de alegria, de prazer, de dor e de tristeza que fluem incessantemente. Contudo, devemos respeitá-lo na sua imensidão, mistério e imprevisibilidade. Se aprendermos a lê-lo, se acostumarmos com ele, tentando conhecer os seus meandros e, claro, se aprendermos a nadar e a saltar suas ondas, ou mesmo surfar, não será antagonista, mas nosso amigo.

Ele está lá todos os dias, esperando-me por meus pés sobre suas águas e sentir a sua força infinita. A cadência perpétua do vasto mar traz essas ondas que fluem, ora calmas, ora agitadas. Perceber que a vida é um ciclo é importante, porque seremos constantemente gratos, visto que sempre haverá algo para ser grato, apesar das quedas e arranhões.

 


quinta-feira, 22 de outubro de 2020

A NORMALISTA – A ATUALIDADE DE UM ROMANCE POLÊMICO

Charles Ribeiro Pinheiro

Qual a relevância do romance “A normalista”, publicado em 1893, por Adolfo Caminha, escrito nos moldes do naturalismo, no qual retrata, implacavelmente, os vícios, as tramas, os dessabores, a bajulação política, as aparências sociais, a maledicência, o escárnio e a hipocrisia da sociedade de Fortaleza? Ao observar a sua estrutura narrativa e seus temas, percebemos que “A normalista” se insere na tradição dos romances que não servem apenas para o entretenimento, mas como forma de sensibilizar o leitor e de levá-lo a conhecer as intricadas relações sociais que são representadas no papel. A seguir, traçaremos um breve perfil do autor e discutiremos questões literárias e históricas expressivas acerca do polêmico romance.

O escritor, nascido no Ceará, em 1867, após perder a família durante a seca de 1877, parte para o Rio de Janeiro. Ingressou na Escola da Marinha, de onde saiu como oficial, aos vinte anos, em 1887. No ano seguinte, transferiu-se para Fortaleza, onde se apaixonou por Isabel Jataí de Paula Barros, esposa de um oficial do exército. O episódio causou escândalo em Fortaleza, forçando-o a pedir demissão da Marinha e assumir o compromisso com Isabel. 

Nos primeiros anos da década de 1890, tem uma intensa atividade jornalística na capital cearense. Em 1891, funda a “Revista Moderna” e, no ano seguinte, participou da primeira formação da Padaria Espiritual, irreverente grêmio literário e artístico formando na Praça do Ferreira, liderada por Antônio Sales. Em seguida, retorna com a família para o Rio de Janeiro, onde atuou na imprensa carioca. Acometido de tuberculose, faleceu em 1897, aos trinta anos. A sua obra não é vasta, porém é muito significativa. Após a publicação de um livro de poemas “Voos incertos” (1886) e um de novelas “Judite e Lágrimas de um crente”(1887), e do diário “No país dos Ianques” (1894), publicou as suas principais obras: ‘A normalista” (1893), “Bom Crioulo” (1895), “Cartas Literárias” (1895) e “Tentação” (1896).

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Bate-papo_A Normalista de Adolfo Caminha_Série bom Livro

 


Bate-papo sobre o romance “A Normalista” (1893), do escritor cearense Adolfo Caminha, com a participação do professor Charles Ribeiro Pinheiro, promovido pelo canal do Instagram @seriebomlivro, com a curadora do professor João Paulo Foschi, que realiza um importante trabalho de resgate da memória editorial dos clássicos da Literatura brasileira, publicados pela Editora Ática. Acompanhando a tradição dos romances de costumes, “A Normalista” é um dos mais polêmicos livros do naturalismo brasileiro, a realizar uma representação atroz da hipocrisia, da dominação masculina, da maledicência, da mesmice provinciana e da molecagem da cidade de Fortaleza, capital do Ceará, no final do século XIX. Bate-papo realizado no dia 18 de outubro de 2020, no ig

João Paulo Foschi, nascido em Crateús (CE), em 1980, possui formação acadêmica em Pedagogia e Letras (Francês), com pós-graduação na área de Semiótica e Literatura e mestrado em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará. Como ficcionista, publicou o romance “A condessa de Assis”. Idealizador e curador do projeto @seriebomlivro, no Instagram.
Charles Ribeiro Pinheiro é Professor de Literatura, graduado em Letras pela Universidade Federal do Ceará (2008). Mestre em Letras (2011) e Doutor em Literatura Comparada (2019), pela UFC, com pesquisas sobre Rodolfo Teófilo. Coordenador do projeto de extensão e docência “O entre-lugar na Literatura cearense” (2015-2018). Além de roteirista de quadrinhos, é autor de livros didáticos e conteudista de Literatura.

sábado, 10 de outubro de 2020

Bate-papo A normalista de Adolfo Caminha - Série Bom Livro

Não percam esse excelente bate-papo sobre o romance A Normalista (1893), do escritor cearense Adolfo Caminha. A Live conta com a participação do professor Charles Ribeiro Pinheiro e é promovida pelo canal @seriebomlivro que tem a curadora do professor João Paulo Foschi, que vem fazendo um importante trabalho de resgate da memória editorial dos clássicos da Literatura brasileira publicados pela Editora Ática. A Normalista é um dos mais polêmicos livros do naturalismo brasileiro, a realizar uma representação atroz da hipocrisia, do falso moralismo, da dominação masculina, da maledicência, da mesmice provinciana e da molecagem cearense da cidade de Fortaleza, Ceará, no final do século XIX. Não percam. É no próximo domingo, dia 18 de outubro.

https://www.instagram.com/seriebomlivro/?hl=pt-br