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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vídeos da Campanha "A fome 130 anos - Rodolfo Teófilo Romancista"

Estes vídeos são parte da Campanha Cultural "A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista" que tem por objetivo homenagear os 130 anos de publicação do polêmico romance "A Fome" (1890), um dos responsáveis pela construção da tradição dos romances da seca na literatura brasileira, ressaltando-o como um escritor-leitor e seu contexto literário da cidade de Fortaleza.

A Campanha Cultural ocorreu durante o mês de dezembro a janeiro de 2021, na forma de ações como um Curso sobre o romance A fome, a produção de postagens, vídeos, um bate-papo ao vivo e um almanaque gratuito (de autoria de Charles Ribeiro Pinheiro e arte por Luís XIII). 

Participação:

Pesquisa, roteiro, iconografia e locução: Prof. Charles Ribeiro Pinheiro  

Arte e edição de vídeo: Luís XIII    https://allstuff.luisxiii.art/

Trad. Libras: Liliana Ripardo Alves  https://www.instagram.com/literaturalibras/

"Este Projeto é fomentado com recursos da lei 14.017/2020 - lei Aldir Blanc - por meio da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza".












 








quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Rodolfo Teófilo e a invenção da Cajuína

 


Uma das grandes realizações de Rodolfo Teófilo como cientista, químico e industrial foi a cajuína. É um aperfeiçoamento químico da antiga bebida dos povos originários do brasil: o cauim. O farmacêutico, no fim do século XIX, aplicou a técnica francesa de Appert, que consiste no processo de pasteurização do suco extraído do caju por meio do banho-maria. O liquido era fervido já embalado em garrafas de vidro lacradas. Ele deu o nome desse processo como clarificação. Ele chegou à fórmula final em 1900 e desenvolveu essa bebida no intuito de ser um substituto das bebidas alcoólicas.
A Cajuína era fabricada em sua residência no Benfica e no seu sítio em Pajuçara, onde tinha um espaço reservado para a produção, engarrafamento e rotulagem. Como industrial, ele conquistou, na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, em 1908, Medalha de Ouro pela excelente qualidade da Cajuína.
Na imagem, esse é um dos inúmeros cartazes de propaganda da cajuína que eram veiculadas em diversos jornais do Ceará e do Nordeste.
Para conhecer mais sobre a Cajuína, conferir o documentário “Arquivo.DOC A cajuína”, produzido pela TV Assembleia do Ceará, em 2020.
Não percam!



segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Bate-papo Campanha A fome 130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista

 


Não percam no próximo domingo, dia 31/01/2021, uma interessante Live que faz parte da Campanha Cultural “A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista” tem por objetivo homenagear os 130 anos de publicação do polêmico romance “A Fome” (1890), um dos responsáveis pela construção da tradição dos romances da seca na literatura brasileira. O evento virtual conta com a participação do Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro (professor, roteirista, coordenador do projeto e pesquisador de literatura cearense) e da Profa. Ma. Lílian Martins (Jornalista, professora, pesquisadora e coordenadora de conteúdo do Curso de extensão em Literatura Cearense, da Fundação Demócrito Rocha), com a tradução em Libras por Liliana Ripardo Alves (Pedagoga e interprete e tradutora de Libras pela APILCE (2009 -2011), participante de várias coletâneas de obras literárias e idealizadora do projeto Literatura & Libras.


A Campanha Cultural “A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista” ocorre desde dezembro de 2020 por meio de um curso; que abordou questões interessantes e relevantes do romance A fome, ressaltando Rodolfo Teófilo como um escritor-leitor; postagens, vídeos e o lançamento de um almanaque digital gratuito (de autoria de Charles Ribeiro Pinheiro e arte por Luís XIII), que se utiliza da linguagem visual das histórias em quadrinhos, como forma de ampliar a divulgação do referido romance e as demais obras ficcionais de Rodolfo Teófilo.

O Bate-papo será transmitido ao vivo pelo Canal do Youtube do prof. Charles Ribeiro Pinheiro. Durante a live, será lançado o “Almanaque A fome 130”, revista digital com arte do quadrinista Luís XII e pesquisa e textos por Charles Ribeiro Pinheiro.
Até lá!

“Este Projeto é fomentado com recursos da lei 14.017/2020 - lei Aldir Blanc - por meio da secretaria municipal da cultura de Fortaleza”.



terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Livro "Violência" de Rodolfo Teófilo

 


Rodolfo Teófilo foi um grande opositor do Governo Accioly (1896-1912) e por conta de sua luta política, sofreu muitas perseguições, sendo uma das mais arbitrárias a sua demissão do Liceu do Ceará. Desde o início do século XX, o Presidente do Estado e seus asseclas perseguem Teófilo devido a sua companha de vacinação contra varíola, em contraposição do descaso do governo estadual em relação à peste.

Rodolfo Teófilo atuou desde 1889, na Escola Normal como professor de ciências naturais. Em 1890, passa a integrar o corpo docente do Liceu, nas disciplinas de Mineralogia, Geografia e Meteorologia. Em 1905, o Presidente do Estado, Nogueira Accioly, decreta a extinção da cadeira de mineralogia e designa Teófilo para a de Lógica. Como se negou a assumir a disciplina, foi demitido de seu cargo vitalício. Indignado contra o que considerou um ato de “violência” pelo seu desafeto político, começa a publicar no “Jornal do Ceará”, a partir de 1905, uma série de artigos contra a falsa reforma. Ainda em 1905, reúne os artigos e lança o livro “Violência”.

Eis alguns trechos do livro:

“O meu crime vem da publicação a meu livro Secas do Ceará em que tratando das administrações que tem tido o estado durante as secas, tive o atrevimento de criticar, com muita benevolência, é verdade, a passada administração do atual presidente do estado. [...] Violar a lei para tomar uma vindicta não é só um crime, é uma iniquidade! [...]Foi por ter tido a coragem de dizer, essa verdade suprema, que fui condenado a perder a cadeira de professor do Liceu do Ceará. Não hesitou o sr. presidente do estado em cometer o grande atentado contra a lei demitindo um funcionário vitalício. Esqueceu-se de que a violência é a norma de conduta dos governos fracos. [...] O sr. presidente do estado com seu ato arbitrário não atentou somente contra meu direito, mas contra os direitos de todos os cearense” (TEÓFILO, 1905. p. 55-67).

A edição fac-similar da foto foi publicada em 2005 pela Coleção do Museu do Ceará, da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, com prefácio da historiadora Adelaide Gonçalves.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

INSCRIÇÕES ABERTAS! O Curso "A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista"


 INSCRIÇÕES ABERTAS! O Curso "A Fome-130 anos: Rodolfo Teófilo Romancista" tem por objetivo homenagear os 130 anos de publicação do polêmico romance "A Fome" (1890), um dos responsáveis pela construção da tradição dos romances da seca na literatura brasileira. O Curso faz parte da campanha cultural que ocorrerá na forma de ocupação digital, durante o mês de dezembro e janeiro de 2021, por meio de produção de postagens, vídeos, uma videoconferência e um almanaque gratuito em forma de ebook (de autoria de Charles Ribeiro Pinheiro e arte por Luís XIII), que se utiliza da linguagem visual das histórias em quadrinhos, como forma de ampliar a divulgação do referido romance e as demais obras ficcionais de Rodolfo Teófilo.

O Curso, ministrado pelo Prof. Dr. Charles Ribeiro Pinheiro, consistirá em cinco encontros virtuais que abordarão questões interessantes e relevantes do romance A fome, ressaltando Rodolfo Teófilo como um escritor-leitor, ao investigar as leituras que formaram a sua cosmovisão cientificista, assim como a construção de seu estilo naturalista-regionalista, cuja obra ficcional o tornou o precursor da chamada "Literatura das secas".

O Curso ocorrerá virtualmente por meio da plataforma Meet (google), nos dias 28 e 30 de dezembro de 2020; 04, 06 e 11 de janeiro 2021, no horário de 18h às 19h.

Público alvo: alunos de graduação ou graduados em Letras e, além dos Cursos de Ciências Humanas, demais interessados em Literatura Cearense.

Não perca essa oportunidade!

"Este Projeto é fomentado com recursos da Lei 14.017/2020 - Lei Aldir Blanc - por meio da secretaria municipal da cultura de Fortaleza".

Inscrições por meio do link:  https://forms.gle/oM1TLnm8J2EtehvA6

Página do Curso: https://caminhosdapesquisaliteraria.webnode.com/a-fome-130-anos/

Informações:  entrelugar.literaturacearense@gmail.com

Instagram:  @prof.charles.ribeiro.pinheiro

Twitter: @Charles_Rib_82

Facebook: https://www.facebook.com/prof.charles.ribeiro.pinheiro




quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Rodolfo Teófilo - Romancista Cearense

 

Baiano por acidente e cearense de coração, farmacêutico e literato, Rodolfo Teófilo (1853-1932) foi uma figura de intensa atuação política e cultural durante a passagem do século XIX ao XX no Ceará. Intelectual engajado, foi um ferrenho opositor da oligarquia Accioly (1896-1912); além de denunciar o descaso do governo em relação às secas, participou ativamente da campanha abolicionista (1881-1883) e, contrariando os seus opositores, conseguiu erradicar a varíola do estado do Ceará (1900-1907). A singularidade do naturalismo literário de Rodolfo Teófilo acentua-se através da presença constante da “cor local“, cujo objetivo era fotografar a nossa época, os costumes, índole e civilização do nosso povo. O seu romance de estreia é A fome (1890), que narra, com um estilo cru e dantesco, os flagelos assustadores, acontecidos durante a grande seca de 1877-78. Rodolfo Teófilo subtitulou o livro como “cenas da seca do Ceará“ e é considerado um dos textos mais fortes da literatura brasileira. O livro é eivado de descrições cruas e exageradamente cientificistas dos retirantes agonizando e morrendo devido à fome e à epidemia de varíola que assolou a capital cearense. Foi na década de 1890, que Rodolfo Teófilo participou da famosa Padaria Espiritual, da qual foi o seu último padeiro-mor (presidente). Por meio dessa agremiação literária, o farmacêutico publicou a maior parte de seus romances mais destacados: Os Brilhantes (1895), Maria Rita (1897), Violação (1898) e O paroara (1899). Rodolfo Teófilo tentou representar fidedignamente os problemas sociais, políticos e ecológicos do Ceará e do nordeste de sua época em suas obras literárias.

Pesquisa Acadêmicas sobre Rodolfo Teófilo 

Pesquisador: Charles Ribeiro Pinheiro

DISSERTAÇÃO: Rodolpho Theophilo: a construção de um romancista (2011).
Local: Programa de Pós-Graduação em Letras - UFC.
Orientação: Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva.
Resumo: Esta dissertação realizou uma investigação da formação intelectual e literária de Rodolfo Teófilo (1853-1932), verificando como se deu o seu amadurecimento como ficcionista em O paroara (1899). Para tal propósito, situamos, de maneira crítica, o referido autor em sua conturbada época e espaço social: a Fortaleza da Belle Époque. A pesquisa dividiu-se em três capítulos: o primeiro relacionou o escritor ao contexto em que está inserida a sua obra ficcional, além do estudo de seu campo intelectual e literário; no segundo, o estudo da dinâmica dos processos de leitura e desleitura e, no terceiro capítulo, como ocorreu a construção do estilo naturalista-regionalista de Rodolfo Teófilo. Ele realizou uma desapropriação poética da escola naturalista e atingiu uma escritura singular, recriando o regionalismo, tornando-se precursor da chamada Literatura das secas. Bolsa: FUNCAP.

Disponível em: PINHEIRO, C.R. 2011_UFC


TESE: Rodolfo Teófilo polemista: a crítica polêmica como estratégia de glorificação literária.
Local: Programa de Pós-Graduação em Letras - UFC.
Orientação: Prof.ª Dr.ª Odalice de Castro Silva.
Resumo: A presente pesquisa investigou as polêmicas literárias de Rodolfo Teófilo, enfatizando os textos críticos publicados na imprensa cearense, como estratégias para atingir a glorificação literária. O escritor confrontou Adolfo Caminha, José Veríssimo, Rodrigues de Carvalho, Gomes de Matos, Osório Duque Estrada e Meton de Alencar em textos estampados em diversos periódicos, posteriormente reunidos na obra Os meus zoilos (1924). O livro dialoga intensamente com os debates da inteligência nacional do final do século XIX, os quais revelam tensões entre vários centros literários, tais como o Rio de Janeiro, Recife e Fortaleza. O escritor integra uma tradição de polemistas brasileiros, a qual teve como importantes representantes José de Alencar e Silvio Romero. Bolsa: CAPES-DS.
Disponível em: PINHEIRO, C.R. 2019_UFC


Portfólio Acadêmico e literário: Portfólio - Charles


sábado, 4 de julho de 2020

Podcast #4 Os 130 anos de A Fome, de Rodolfo Teófilo


No quarto episódio do podcast Encontros Literários Moreira Campos relembraremos os 130 anos de publicação do romance A Fome, de Rodolfo Teófilo.
Romance inaugural da chamada ‘Literatura das secas’, que faria carreira ao longo do século XX, Lira Neto assim o define em O poder e a peste, sua biografia de Teófilo publicada pelas Edições Demócrito Rocha: “Literatura crua, sem meio tom ou maquiagem: o Sol implacável, corpos escaveirados, os horrores da miséria extrema. Romance como ninguém ousara escrever antes sobre o Ceará. Livro assim não podia ter outro nome: A Fome”.
Ambientado no Ceará entre os anos 1877-1879, período da chamada seca “dos três setes”, na qual uma grave epidemia de varíola ceifou a vida de milhares de cearenses, A Fome ganha renovado interesse, em tempos nos quais a pandemia do novo coronavírus parece reeditar as condições e vítimas preferenciais da incidência de qualquer crise sanitária: a desigualdade social e a pobreza, questões infelizmente ainda não contornadas no Brasil contemporâneo.
Rodolfo Teófilo ainda se destacou como farmacêutico, documentarista e historiador, com uma obra voltada ao estudo e à prática de combate aos desmandos da política do período, bem como das graves questões sociais e de saúde de sua época. Foi também integrante da Padaria Espiritual, um dos mais importantes movimentos culturais brasileiros do período, ocorrido na Fortaleza de fins do século XIX.

Para falar sobre o assunto, os ELMC convidaram Charles Ribeiro Pinheiro, mestre e doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará (PPGLetras-UFC), pesquisador da obra de Rodolfo Teófilo e professor conteudista no Curso de Literatura Cearense da Fundação Demócrito Rocha (FDR). Charles Pinheiro atua também como autor de livros didáticos, roteirista e designer educacional.

Música de fundo: Odeon (Ernesto Nazareth) - Paul Barton, piano Mediação: Júlio Cezar Bastoni da Silva (DL - UFC).
Fonte: Júlio Cezar Bastoni.


‣ Redes Sociais:



quarta-feira, 1 de abril de 2020

Rodolfo Teófilo já combateu epidemia em Fortaleza; relembre trajetória do farmacêutico e escritor



Entrevista concedida ao jornalista Diego Barbosa para reportagem publicada no Jornal Diário do Nordeste, intitulada “Rodolfo Teófilo já combateu epidemia em Fortaleza; relembre trajetória do farmacêutico e escritor”, em que dissertei sobre a obra literária do referido escritor cearense, que é integrada a sua missão intelectual e sanitária. Na reportagem, é traçado o perfil de Rodolfo Teófilo como cientista, literato e inventor, enfatizando suas lutas sanitárias contra os males da seca e da varíola na capital cearense. No final do século XIX e início do XX, Fortaleza era constantemente arrasada pelas epidemias de varíola, matando milhares de pessoas, deixando corpos pelas ruas. Nesse contexto, Rodolfo Teófilo combatia as pestes biológicas e as pestes políticas. 


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A construção do ethos polêmico de Rodolfo Teófilo nos textos de crítica do jornal O Pão.


Rodolfo Teófilo (1853-1932), ao publicar o seu primeiro romance “A fome” (1890), obteve críticas desfavoráveis, sendo a que mais lhe desagradou foi a acusação de ser um mau escritor e de falsear a verdade, num texto estampado na “Revista Moderna” (1891). Em 1895, Teófilo descobre que o autor da crítica é Adolfo Caminha (1967-1897). Através dos artigos “A normalista” e “Cartas literárias”, publicadas no jornal “O pão” (1895), ele defende seu romance e desqualifica não apenas a obra literária, mas a pessoa de Caminha. Observamos que esse jornal serviu de “cenário” (Maingueneau, 2001) para as interações polêmicas entre os dois escritores, tanto para conquistar a opinião pública, quanto para superar o adversário. Amossy (2005) afirma que todo ato de tomar a palavra implica a construção de uma imagem de si, ou seja, o discurso é um lugar onde se engendra o ethos do orador, que não está dissociada de seu logos. Portanto, essa pesquisa tem o intuito de analisar a construção de um ethos polêmico de Rodolfo Teófilo por meio dos textos publicados no jornal “O pão”. O estudo do caráter discursivo da polêmica apoia-se em Ruth Amossy, “Ethos, cenografia e incorporação” (2005), de Dominique Maingueneau, “Gênese dos discursos” (2005) e “O contexto da obra literária” (2001) e de Marcelo Dascal, o artigo “Types of Polemics and Types of Polemical Moves” (1998). Após o estudo, observamos que Teófilo, como um sujeito enunciador, não escreveu seus textos em “solo institucional neutro e estável” (Maingueneau, 2001). Ao adotar um ethos polêmico, constituiu uma escrita provocativa para legitimar o seu conhecimento científico e seu engajamento intelectual. Constatamos que a polêmica entre os dois escritores não revelou apenas antipatias pessoais, ela é um importante meio para estudar o contexto literário cultural da época, para entender como se configurava a crítica nos jornais e os embates para se autolegitimar, na tentativa de inserção no cânone literário.
Palavras-chave: Rodolfo Teófilo. Polêmica. Ethos. Crítica. O pão.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Dissertação - Rodolpho Theophilo: a construção de um romancista

        
        A minha dissertação de Mestrado, Rodolpho Theophilo: a construção de um romancista, concluída em 2011, teve uma gestação de mais de 4 anos. A sua gênese ocorreu no projeto de pesquisa de graduação, "A formação intelectual e literária de Rodolfo Teófilo", que fez parte dos estudos do grupo de pesquisa "Espaço de leituras: cânone e bibliotecas", coordenado pela professora Odalice de Castro e Silva
        Quem desejar conhecer mais a obra literária de Rodolfo Teófilo, basta acessar o link a seguir: http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/3452/1/2011_DIS_CRPINHEIRO.pdf

Resumo: Esta dissertação, intitulada Rodolpho Theophilo: a construção de um romancista,  realizou uma investigação da formação intelectual e literária de Rodolfo Teófilo (1853-1932), verificando como ocorreu o seu amadurecimento como ficcionista em O paroara (1899). Para tal propósito, situamos, de maneira crítica, o referido autor em sua conturbada época e espaço social: a Fortaleza da Belle Époque. A pesquisa divide-se em três capítulos: o primeiro relaciona o escritor ao contexto em que está inserida a sua obra ficcional, além do estudo de seu campo intelectual e literário; no segundo estudamos a dinâmica dos processos de leitura e desleitura e, no terceiro capítulo, como operou-se a construção do estilo naturalista-regionalista de Rodolfo Teófilo. Para o desenvolvimento do primeiro capítulo, utilizamos as categorias de contexto, campo literário e habitus, respectivamente, estabelecidas por Dominique Maingueneau, em O contexto da obra literária (2001) e por Pierre Bourdieu, em As regras da arte (1996). No segundo, investigamos qual foi o rol de leituras de Rodolfo Teófilo, que configuraram a base de sua cosmovisão cientificista. Para examinar os embates dele com a tradição literária, empregamos a concepção de angústia da influência e de desleitura, cunhados pelo crítico Harold Bloom, em A angústia da influência (1991) e Um mapa da desleitura (2003). No último capítulo, analisamos como ocorreu a superação das influências de leitura, efetuando um rigoroso exame dos textos ficcionais da década de 1890, culminando com o romance O paroara. Para esse processo, foram empregadas as categorias estilo, linguagem e escritura, por Roland Barthes em O grau zero da escritura (1974), também estudadas por Leyla Perrone-Moisés em Texto, crítica, escritura (1993). Concluímos, que em O paroara, Rodolfo Teófilo atingiu uma segurança em seu fazer ficcional, apoiado, criticamente, na noção proposta por Araripe Júnior, de estilo tropical, no ensaio Estilo tropical. A fórmula do naturalismo brasileiro (1888). Estudamos como Rodolfo Teófilo realizou uma desapropriação poética da escola naturalista e atingiu uma escritura singular, recriando o regionalismo, tornando-se precursor da chamada Literatura das secas. Este trabalho fez parte da pesquisa Bibliotecas Pessoais: Escritores, Historiadores e Críticos Literários, sob a coordenação da Profª. Drª. Odalice de Castro Silva, do Programa de Pós-Graduação em Letras – Literatura Comparada, da Universidade Federal do Ceará.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A FOTOGRAFIA COMO METÁFORA DO FAZER LITERÁRIO DE RODOLFO TEÓFILO

Evento: IX Encontro interdisciplinar de Estudos Literários (2012)

Local: Centro de humanidades - UFC.

Uma das mais famosas polêmicas literárias ocorridas no Ceará, no final do século XIX, foi entre os escritores Rodolfo Teófilo (1853-1932) e Adolfo Caminha (1967-1897). Através do Jornal O pão (1895), Rodolfo Teófilo se defendeu das críticas que Adolfo Caminha fizera ao seu romance de estréia, A fome (1890). Ele atacou a obra de Adolfo Caminha, A normalista (1893), apontando diversos defeitos de estilo e de verossimilhança, sendo o mais grave o fato do romance não ser uma fotografia fiel da realidade. É interessante salientar a utilização da palavra “fotografar” como sinônimo da escritura naturalista. O objetivo da nossa pesquisa foi de investigar como o conhecimento da técnica fotográfica contribuiu para a formação da visão estética de Rodolfo Teófilo. Para tal fim, realizamos um sucinto estudo comparativo entre a Fotografia e a Literatura Naturalista. Iniciamos por uma contextualização do surgimento da ciência fotográfica e discussão do conceito de imagem fotográfica. Depois, estudamos os fundamentos da escola naturalista em O romance experimental, do escritor francês Émile Zola (1840-1900). Por fim, analisamos os artigos publicados no jornal O pão, da Padaria Espiritual (1892-1898), em que Rodolfo Teófilo expôs sua concepção literária: “A normalista” e “Cartas literárias”. Aprofundamos o nosso estudo com a utilização dos livros: Fotografia e História de Boris Kossoy, O ato fotográfico de Philippe Dubois e o ensaio de Walter Benjamin “Pequena história da fotografia”. Após a pesquisa, constatamos que o registro visual, produto da técnica fotográfica foi confundida como uma fração da realidade na época de seu surgimento. Rodolfo Teófilo, após conhecer essa nova tecnologia e pela leitura da obra de Zola, utilizou a fotografia como metáfora do seu fazer literário, pois em suas produções literárias buscava uma fidedignidade radical com os eventos ocorridos na sociedade, tendo sido este o principal foco de sua crítica a Adolfo Caminha.


Rodolfo Teófilo: “Ao Sr. Caminha falta penetração e foro do romancista. Ele não estuda os tipos e os não descreve com uma visão nítida e verdadeira, uma intuição do intimo: não fotografa, com aquela precisão de escritor psicologizo os personagens no movimento real da vida com seus verdadeiros tons.” (O pão, 1 de Agosto de 1895. Nº 21. Ano II).

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Oficina: As polêmicas literárias da Padaria Espiritual

V FESTIVAL UFC DE CULTURA

15 a 19 de outubro de 2012
“Pão, Modernismo e outras revoluções na arte brasileira”


Oficina: As polêmicas literárias da Padaria Espiritual


Quando: 18 de outubro, das 09h às 12h

Onde: Museu de Arte da UFC (Av. da Universidade, 2854 - Benfica).

Ministrante: Prof. Me. Charles Ribeiro Pinheiro


RESUMO-OBJETIVOS-METODOLOGIA

A presente oficina investiga as polêmicas da Padaria Espiritual (1892-1898), no âmbito do contexto literário regional e nacional, enfatizando o escritor Adolfo Caminha e seus embates com a agremiação, através da leitura do seu livro de crítica Cartas Literárias e dos números do periódico O pão. Essa oficina pretende discutir alguns pontos referentes à história da Padaria Espiritual. Apesar de reunir uma geração destacada de artistas, escritores e intelectuais do Ceará do final do século XIX, não formava um grupo inteiramente harmônico, esteticamente e ideologicamente.

Para esse estudo, apoiamos-nos no conceito de contexto desenvolvido por Dominique Maingueneau, em O contexto da obra literária e com o levantamento da construção do discurso crítico dos intelectuais da geração realista brasileira, por Roberto Ventura, em  Estilo tropical: história cultural e polêmicas literárias no Brasil. Pautados nessas ideias, realizamos um sucinto mapeamento da vida intelectual e literária da Padaria Espiritual. Priorizamos em nossa apresentação as polêmicas de Adolfo Caminha com Antonio Sales e Rodolfo Teófilo, além dos seus ataques à referida agremiação. Também abordaremos a recepção do programa de instalação e do periódico O Pão em outros centros culturais do Brasil, afora a expulsão dos padeiros Temístocles Machado, Tibúrcio de Freitas e Álvaro Martins do grêmio, motivando a criação do Centro Literário.

Portanto, entendemos que a literatura é um espaço de lutas, onde os escritores  disputavam e tentavam se inserir de modo problemático na Tradição literária. Este trabalho é um segmento da pesquisa de mestrado "Rodolpho Theophilo: a construção de um romancista". Para esse projeto, fez-se necessário uma análise do contexto de Rodolfo Teófilo, pois entendemos que o escritor desenvolveu uma relação dinâmica e complexa com as condições históricas, políticas e culturais que interferiram direta e indiretamente na produção de sua obra literária.